kiwidaddy 🇵🇹kiwidaddy
← Todos os guias

🌍 Cultura e inspiração · Para todos os pais

🏆 O lugar do pai no mundo: licenças e cultura, país a país

Não há uma tabela oficial que meça o lugar dos pais numa sociedade. É preciso olhar para a história, as expectativas sociais, a lei, a cultura de trabalho e a forma como os pais aparecem nos meios de comunicação. Este panorama é um guia de leitura, não um campeonato. Os regimes mudam e nem sempre são comparáveis: licença exclusiva do pai, licença parental partilhada e respetivos subsídios são coisas diferentes.

Os 5 critérios para perceber o lugar do pai

  • 🏛️ Herança social e histórica: como os papéis de género passaram entre gerações, desde estruturas patriarcais a tradições igualitárias ou redes comunitárias.
  • 👥 Cultura social: cuidar de um recém-nascido é visto como responsabilidade de ambos os pais ou como trabalho exclusivo das mulheres?
  • ⚖️ Lei e rendimento: quanto tempo está reservado ao pai, se pode ser transferido e quais são as condições e os limites do pagamento.
  • 🏢 Cultura de trabalho: um pai consegue gozar a licença toda sem recear consequências profissionais? Quantos a utilizam realmente?
  • 📺 Publicidade e comunicação: os pais aparecem como cuidadores de pleno direito, como ajudantes desajeitados ou nem sequer aparecem?

Panorama mundial: diferentes condições para participar

  1. 1. Perfil 1: condições favoráveis à partilha dos cuidados

    Islândia, Espanha, Noruega, Finlândia e Suécia são referências frequentes por combinarem licenças com períodos individuais ou reservados e políticas que favorecem a participação dos pais. Os dias disponíveis, os limites dos subsídios e os requisitos variam, pelo que uma comparação exige consultar as regras oficiais em vigor. Na Suécia, os conhecidos «latte pappas» ilustram a visibilidade dos pais com os filhos no espaço público. Isso não significa que todas as famílias destes países vivam uma partilha perfeita.

  2. 2. Perfil 2: direitos importantes, hábitos ainda em mudança

    Portugal, França, Coreia do Sul, Estónia, Eslovénia, Lituânia, Países Baixos e Japão têm regimes diferentes, mas mostram como direitos legais e práticas no trabalho nem sempre avançam ao mesmo ritmo. Em Portugal, a licença parental exclusiva do pai inclui 28 dias obrigatórios: os primeiros 7 são consecutivos e imediatamente após o nascimento; os restantes são gozados nas 6 semanas seguintes ao nascimento, nos termos legais. Há ainda 7 dias facultativos, que devem coincidir com a licença parental inicial da mãe. O subsídio correspondente tem, em regra, uma taxa de 100% da remuneração de referência, não necessariamente do salário líquido habitual, e depende das condições de acesso. Confirma o calendário, os requisitos, o pagamento e as possibilidades de licença partilhada com a Segurança Social e a tua entidade empregadora. Nos Países Baixos, o termo «papadag» dá visibilidade ao tempo regular de cuidado; no Japão, a iniciativa Ikumen procura incentivar essa presença.

  3. 3. Perfil 3: modelos diferentes, comparações nem sempre simples

    Bélgica, Singapura, Austrália, Canadá, Itália, Reino Unido, Irlanda e Alemanha combinam de formas distintas licenças ligadas ao nascimento, licenças parentais e prestações. O Quebeque tem um regime próprio, que não deve ser confundido com o do resto do Canadá. Na Alemanha, o Elterngeld é uma prestação associada aos cuidados parentais, não uma simples licença exclusiva do pai. Comparar apenas semanas ou valores pode esconder diferenças importantes de elegibilidade, remuneração, proteção laboral e partilha. As regras destes países não se aplicam a quem trabalha em Portugal.

  4. 4. Perfil 4: o apoio comunitário também conta

    Os estudos sobre pais aka, na bacia do Congo, e o papel do whānau māori, na Nova Zelândia, lembram que a proximidade e as redes de cuidado não se medem apenas em dias de licença. Isso não permite concluir quais os direitos laborais de uma pessoa com base na sua cultura. Na Colômbia, no México e no Brasil, movimentos de «paternidad activa» coexistem com regimes legais distintos. O mesmo cuidado é necessário ao comparar Quénia, Nigéria, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita: não há uma regra única para cada região, e os direitos podem variar por setor e vínculo laboral.

  5. 5. Perfil 5: lacunas na proteção remunerada

    Nos Estados Unidos, não existe uma licença parental remunerada geral garantida a nível federal; podem existir direitos estaduais, proteção de ausência não remunerada e benefícios da entidade empregadora. Na Índia, os direitos diferem entre determinados empregos públicos e o setor privado, onde não há um direito nacional geral equivalente para todos os pais. Evita listas fechadas de países «sem licença»: podem omitir regimes locais, acordos coletivos ou reformas recentes.

  6. 6. Sem rodeios

    Este panorama serve para perceber condições, não para distribuir medalhas. As leis e a cultura influenciam as tuas opções, mas não definem sozinhas o pai que és. Em Portugal, começa pelos teus direitos concretos, combina a organização familiar e assume os cuidados no dia a dia.

Erros clássicos

  • ❌ Transformar o panorama numa classificação dos pais Menos proteção legal não significa piores pais. Estamos a falar de estruturas coletivas e oportunidades, não a avaliar famílias.
  • ❌ Olhar apenas para a lei Uma licença longa no papel pode ser difícil de utilizar quando há pressão no trabalho ou perda de rendimento. A utilização real, a segurança profissional e as condições de acesso contam tanto como a duração anunciada.
  • ❌ Esquecer que as regras mudam As durações, os subsídios e os requisitos podem mudar. Antes de fazeres planos em Portugal, confirma a informação atual na Segurança Social e com a tua entidade empregadora; para dúvidas sobre direitos laborais, consulta também a ACT.

Perguntas dos pais

Qual é o país com a licença de paternidade mais longa?

Depende do que comparas: licença exclusiva do pai, períodos individuais de licença parental ou tempo partilhável entre os pais. Islândia, Espanha e países nórdicos surgem frequentemente nas comparações de períodos reservados; Japão e Coreia do Sul também preveem licenças parentais prolongadas em determinadas condições. Sem uma data de referência e critérios iguais, não é rigoroso apontar um vencedor. Em Portugal, distingue os 28 dias obrigatórios e os 7 facultativos da licença exclusiva do pai das opções de licença parental inicial partilhada.

Que países não têm licença de paternidade remunerada?

Os Estados Unidos não garantem uma licença parental remunerada geral a nível federal, embora existam regimes estaduais e benefícios de empregadores. Noutros países, a proteção pode limitar-se a certos setores ou vínculos. Não há aqui uma contagem mundial fiável e atualizada: confirma sempre a legislação nacional, as regras locais e o contrato de trabalho.

Há algum detalhe de Portugal a acrescentar ou queres partilhar a tua experiência com este guia? Escreve à equipa

Sobre o mesmo tema

Para ler a seguir

Este guia não substitui aconselhamento médico. Em caso de dúvida, fala com o médico de família, o pediatra ou um enfermeiro especialista no centro de saúde, ou liga SNS24 808 24 24 24. Em caso de emergência com risco de vida, liga 112.